Dezembro de 2015, já estávamos a 2 meses namorando, eu estava naquela fase em que os sentimentos eram diretamente proporcionais à insegurança, tinha medo de dizer o que sentia por ela quando a via, tinha medo de dizer o que sentia quando a abraçava, tinha medo de dizer o que sentia quando a beijava, me sentia inseguro.
Era dia de semana quando a gente decidiu fazer algo diferente, fomos até a orla da cidade, sentamos perto da Fortaleza, conversamos muito, conversamos sobre bobagens, sobre nossos cotidianos, enfim sentamos debaixo de uma árvore, perto dos quiosques, continuamos a falar as mesmas coisas, nesse momento percebi algo: nunca falamos de sentimentos pessoais, nunca falamos de problemas em casa, problemas na escola, de problemas na vida, decido quebrar esse tabu.
Eu começo a soltar meu problemas pra ela, só percebi que parei quando ela me abraçou, agora sinto que devia dizer o que eu sinto.
Eu olho nos seus olhos, passamos segundos nos encarando até que começa a chuva, eu a puxo pelo braço, levo ela pro meio da chuva, começa a correr com ela, abraço ela, beijo ela, rio, me divirto, então no meio da chuva olho em seus olhos e digo... EU TE AMO H****.
Ela olha pra mim e eu vejo em seus olhos lágrimas escorrendo e se misturando a chuva, ela disse que me amava, não me contive, gritei pro mundo, pra todos ouvir, EU TE AMO H****, sinto que aquele poderia ser o momento mais feliz da minha vida, isso se ele tivesse existido.
Começou a chover, a gente se abriga debaixo dos quiosques, a chuva tá muito forte, não consigo ouvir o que ela fala, a gente para de conversar, a chuva passa, ela coloca o celular dela no meu bolso, a gente vai embora, esqueço de devolver o celular, chego em casa, percebo que não tem como ela me responder, deixo assim, vou pra cama e durmo.
Fim do dia
sexta-feira, 11 de maio de 2018
CHUVA
Quase lá
Começava a última semana de Setembro, eu vejo ela, a gente se cumprimenta, conversar sobre vários coisas bestas, ri, eu olho pra ela, ela olha pra mim, olhos nos olhos, eu não consigo me mover, dizem que quando duas pessoas de sexos diferentes se encaram por mais de 8 segundos elas se apaixonam. O tempo parou, tudo estava devagar, começo a perceber que os olhos dela tem um pouco de castanho claro, eu vejo ela sussurra algo, não ouço, então o tempo volta a correr, meu olhar vagueia a praça, vejo crianças correndo, adultos correndo, vejo um mundo movimentado a minha volta e então vejo que ela ainda olhava pra mim, sinto uma dúvida, será que ela começou a desenvolver algo por mim? Chega a hora de ir embora, a gente se despede e vai cada um pro seu lado.
No outro dia eu tinha um compromisso importante, eu passei pela praça onde a gente se encontrava no caminho, eu vejo ela, ela vem em minha direção, me parte o coração não poder ter nossas conversas sobre tudo hoje, eu digo que tenho que ir em um lugar, vejo seu semblante mudar, ela parece cabisbaixa, e como em um surto ela se reanima e me pergunta se vai eu voltarei pra falar com ela, eu digo que sim, a gente se abraça pela primeira vez.
Eu sinto o corpo dela perto do meu, ela era como lenha que acendeu a fogueira do meu coração, eu sinto que podia ficar ali pra sempre, antes que eu pudesse perceber eu já fui, já estou longe, muito longe, volto pra praça e não a vejo, já era tarde e ela foi embora.
Dia seguinte eu acordo me sentindo ótimo, abro a janela e o gradioso astro rei me saúda com boas graças, eu reverencio devolta, não teve aula pra mim, sinto meu peito encher de confiança, hoje eu confesso meus sentimentos pra ela, vou pro lugar de sempre, horário de sempre, mas algo não era o de sempre, meus outros amigos tavam lá, ela tava cercada pelos amigos dela, não sabia o que fazer, eu vejo ela e aceno, ela vem em minha direção e me abraça, isso foi muito bom, a gente conversou muito, então meus amigos e os delas chegaram, nos separaram, o motivo: a gente já tinha conversado muito e agora eles queriam nossa atenção, não tive problema, fiz isso, conversei com meus amigos, ela faz o mesmo, que furada, quando percebo ela já foi embora.
Início -
Eu lembro bem de alguns detalhes, outros não, certas noites de insônia, quando chove, eu lembro, lembro daquela vez onde nós se encontramos.
Era setembro de 2015, eu era apenas um garoto que levava um dia de cada vez, não tinha e nem via motivos pra planejar algo, foi quando eu conheci ela.
Era de tarde, o sinal da saída da escola tinha tocado, eu estava sentado numa praça da minha cidade e então eu percebo uma garota perto de mim. Ela não era uma simples garota, seu sorriso possuía mais cores que o espectro da luz, seu cabelo vermelho como as chamas de uma calda de meteoro entrando na atmosfera da terra aqueceu meu coração, que bombeava mais a cada doce palavra que eu ouvia ela pronunciar, eu não conhecia ela, nunca tinha a visto, mas eu sabia, sabia que o destino iria nos unir.
E uniu, talvez uma grande coincidência, ou efeito da cidade pequena que eu morava, um amigo meu chegou e começou a falar comigo, pouco tempo depois ela sentou do lado dele e eles começaram a conversar, eu sentia um frio no estômago, seria aquela a chance perfeita de conversar com ela?
Janeiro de 2016, eu estava muito aflito, não sabia que rumo tomar da vida,se antes eu não me preocupava com nada, hoje todas as possibilidades vem em minha cabeça, gritando em um turbilhão de emoções, eu não sabia o que fazer, não sabia quem ouvir, não confiava em ninguém, eu tinha passado 3 dias sem sair do quarto com medo desse dia chegar, ele chegou, o glorioso sábado, eu tinha que encontrar ela, eu tinha que ver ela mais uma vez e fazer ela sentir o que eu sentia por ela, o encontro marcado para as 15 depois do cursinho dela, eu sabia que se eu não tivesse lá na hora, nunca mais a veria denovo, chega perto do horário e ainda não tomei forças pra romper o turbilhão de pensamentos, um segundo de clareza e me levanto, ignoro todos no caminho, corro com tudo, corro como se não tivesse nada me segurando, vejo minha mãe me perguntando algo, vejo meu irmão me chamando, eu continuo, eu pego o primeiro ônibus, na pressa peguei o ônibus que demorava mais pra chegar lá, olho pro relógio do celular e já são 15:00 em ponto, ainda faltava 10 minutos para chegar, eu começo a soar frio, sinto aquele frio na barriga novamente, o que faço? Me sinto fraco, mas talvez ela ainda esteja lá, me encho das ultimas esperanças, o ônibus para, o motorista pede pra todos descerem, ônibus deu problema, ainda me faltam 5 quarteirões, não penso duas vezes e corro, corro e corro, segurei as lágrimas até o último momento, chego no local onde a gente marcou o encontro, eu olho o relógio e vejo que estou 20 minutos atrasado, eu procuro ela, olho em cada canto, não há nenhum sinal dela, eu desabo, não aguento mais aquilo, me encosto em algum lugar e discretamente limpo minhas lágrimas.
Setembro de 2017, já havia algumas vezes que eu sentei perto dela, a observei, percebi seus tocs, quando ela sorria, discretamente cobria a boca, ela não gostava de deixar a franja cair sobre a testa, quando ela se irritava ficava tão bonita. Depois de uma semana, o amigo que sempre sentava comigo e conversava com ela não veio, eu sentei no lugar de sempre, eu vi ela vindo, tentei não olhar pra ela, tava com medo de assustar ela, então enquanto eu olhava pro lado senti algo cutucar minha costela, um frio subiu minha espinha, hoje era um péssimo dia pra ser assaltado (não que houvesse algum bom dia pra isso), lentamente eu me virei, quando eu olho pro lado eu vejo.
UMA EXPLOSÃO DE CORES, um sorriso lindo, um olhar tão inocente, por pouco eu não solto meu coração pelo peito, ela me pergunta sobre ele, paro pro dois segundos:
- O **** não veio, talvez tenha ficado em casa vendo Narutinho
Então eu parei, percebi que tinha falado demais, agora eu penso que ela vai me achar muito infantil, 15 anos e ainda vê desenho.
Ela rir, ela me pergunta coisas sobre a minha amizade com ele, não consigo lembrar das minhas respostas, Só consigo pensar que ela não se afastou de mim ou me olhou estranho, então eu chego a uma conclusão, eu olho pros lados, vejo que não tem ninguém olhando, devagar chego perto do seu ouvido e digo:
- Você é uma de nós?
Ela ri, ela diz que sim, a gente começa a conversar sobre vários animes, eu penso que talvez ela seja a garota da minha vida.