Eu lembro bem de alguns detalhes, outros não, certas noites de insônia, quando chove, eu lembro, lembro daquela vez onde nós se encontramos.
Era setembro de 2015, eu era apenas um garoto que levava um dia de cada vez, não tinha e nem via motivos pra planejar algo, foi quando eu conheci ela.
Era de tarde, o sinal da saída da escola tinha tocado, eu estava sentado numa praça da minha cidade e então eu percebo uma garota perto de mim. Ela não era uma simples garota, seu sorriso possuía mais cores que o espectro da luz, seu cabelo vermelho como as chamas de uma calda de meteoro entrando na atmosfera da terra aqueceu meu coração, que bombeava mais a cada doce palavra que eu ouvia ela pronunciar, eu não conhecia ela, nunca tinha a visto, mas eu sabia, sabia que o destino iria nos unir.
E uniu, talvez uma grande coincidência, ou efeito da cidade pequena que eu morava, um amigo meu chegou e começou a falar comigo, pouco tempo depois ela sentou do lado dele e eles começaram a conversar, eu sentia um frio no estômago, seria aquela a chance perfeita de conversar com ela?
Janeiro de 2016, eu estava muito aflito, não sabia que rumo tomar da vida,se antes eu não me preocupava com nada, hoje todas as possibilidades vem em minha cabeça, gritando em um turbilhão de emoções, eu não sabia o que fazer, não sabia quem ouvir, não confiava em ninguém, eu tinha passado 3 dias sem sair do quarto com medo desse dia chegar, ele chegou, o glorioso sábado, eu tinha que encontrar ela, eu tinha que ver ela mais uma vez e fazer ela sentir o que eu sentia por ela, o encontro marcado para as 15 depois do cursinho dela, eu sabia que se eu não tivesse lá na hora, nunca mais a veria denovo, chega perto do horário e ainda não tomei forças pra romper o turbilhão de pensamentos, um segundo de clareza e me levanto, ignoro todos no caminho, corro com tudo, corro como se não tivesse nada me segurando, vejo minha mãe me perguntando algo, vejo meu irmão me chamando, eu continuo, eu pego o primeiro ônibus, na pressa peguei o ônibus que demorava mais pra chegar lá, olho pro relógio do celular e já são 15:00 em ponto, ainda faltava 10 minutos para chegar, eu começo a soar frio, sinto aquele frio na barriga novamente, o que faço? Me sinto fraco, mas talvez ela ainda esteja lá, me encho das ultimas esperanças, o ônibus para, o motorista pede pra todos descerem, ônibus deu problema, ainda me faltam 5 quarteirões, não penso duas vezes e corro, corro e corro, segurei as lágrimas até o último momento, chego no local onde a gente marcou o encontro, eu olho o relógio e vejo que estou 20 minutos atrasado, eu procuro ela, olho em cada canto, não há nenhum sinal dela, eu desabo, não aguento mais aquilo, me encosto em algum lugar e discretamente limpo minhas lágrimas.
Setembro de 2017, já havia algumas vezes que eu sentei perto dela, a observei, percebi seus tocs, quando ela sorria, discretamente cobria a boca, ela não gostava de deixar a franja cair sobre a testa, quando ela se irritava ficava tão bonita. Depois de uma semana, o amigo que sempre sentava comigo e conversava com ela não veio, eu sentei no lugar de sempre, eu vi ela vindo, tentei não olhar pra ela, tava com medo de assustar ela, então enquanto eu olhava pro lado senti algo cutucar minha costela, um frio subiu minha espinha, hoje era um péssimo dia pra ser assaltado (não que houvesse algum bom dia pra isso), lentamente eu me virei, quando eu olho pro lado eu vejo.
UMA EXPLOSÃO DE CORES, um sorriso lindo, um olhar tão inocente, por pouco eu não solto meu coração pelo peito, ela me pergunta sobre ele, paro pro dois segundos:
- O **** não veio, talvez tenha ficado em casa vendo Narutinho
Então eu parei, percebi que tinha falado demais, agora eu penso que ela vai me achar muito infantil, 15 anos e ainda vê desenho.
Ela rir, ela me pergunta coisas sobre a minha amizade com ele, não consigo lembrar das minhas respostas, Só consigo pensar que ela não se afastou de mim ou me olhou estranho, então eu chego a uma conclusão, eu olho pros lados, vejo que não tem ninguém olhando, devagar chego perto do seu ouvido e digo:
- Você é uma de nós?
Ela ri, ela diz que sim, a gente começa a conversar sobre vários animes, eu penso que talvez ela seja a garota da minha vida.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
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